A obra de arte na época da destruição da metafísica

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Virginia de Araujo Figueiredo

Resumo

A decisão de abordar as relações entre arte, política e filosofia, a partir de uma noção cunhada por Philippe Lacoue-Labarthe, a de “nacional-estetismo”, deveu-se à ideia de que talvez, no nazismo, as relações entre arte e política tenham atingido o seu ápice. Obedecendo a um modelo grego antigo, o nazismo pode ser considerado como o momento histórico de fusão entre a arte e a política, momento no qual o político se produziu enquanto obra de arte; ou, nas palavras de Schiller, o Estado foi moldado como a maior de todas as obras de arte. Numa nítida operação de deslizamento semântico, Lacoue-Labarthe pretendeu, com aquele termo “nacional-estetismo”, designar a essência do nacional-socialismo e, por isso, foi inevitável estabelecer uma discussão com a famosa fórmula dupla brecht-benjaminiana da “estetização do político x politização da arte”. Um dos pontos mais importantes dessa discussão foi justamente a questão do mito que, segundo Lacoue-Labarthe e Nancy, escapara a Walter Benjamin, no seu não menos famoso ensaio sobre “A obra de arte na época da reprodutibilidade técnica”. Ainda segundo os filósofos franceses, foi o cinema de Hans-Jürgen Syberberg, sobretudo seu filme Hitler: um filme da Alemanha, que chamou a atenção deles para a perspectiva fundamental do mito para compreender o programa ou o projeto político do nacional-socialismo.

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Como Citar
FIGUEIREDO, Virginia de Araujo. A obra de arte na época da destruição da metafísica. O que nos faz pensar, [S.l.], v. 26, n. 40, p. 9-33, june 2017. ISSN 0104-6675. Disponível em: <http://www.oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/index.php/oqnfp/article/view/555>. Acesso em: 23 june 2018.
Seção
Artigos