Exfermidade, enfermidade ou experiência de doença: zoonose e antropoceno

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Carlos Estellita-Lins http://orcid.org/0000-0001-9509-1811

Resumo

Absolutamente datado, efêmero e circunstancial o presente texto é uma reflexão que parte do conceito de acontecimento, durante a pandemia do new covid-19 SARS-2 no mundo, verificada a partir do claustro de um pequeno apartamento em Copacabana. O texto descreve a súbita necessidade de descrição da experiência de doença por filósofos, sociólogos, antropólogos e intelectuais a partir de um paradoxo: a busca de soluções e a percepção de sua impossibilidade emergem simultaneamente. O estatuto das reflexões filosóficas hodiernas sobre o fim de todas as coisas é mencionado de modo ensaístico e não exaustivo. A questão do antropoceno e das zoonoses é tematizada neste contexto de modificação, aonde os modos, etimologia insuperável do projeto moderno, se confrontam com impasses escatológicos e de adiamento do fim do mundo.

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Como Citar
ESTELLITA-LINS, Carlos. Exfermidade, enfermidade ou experiência de doença: zoonose e antropoceno. O que nos faz pensar, [S.l.], v. 29, n. 47, p. 192-237, dec. 2020. ISSN 0104-6675. Disponível em: <http://www.oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/index.php/oqnfp/article/view/741>. Acesso em: 11 may 2021. doi: https://doi.org/10.32334/oqnfp.2020n47a741.
Seção
Artigos

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