Crise existencial e poética do mito em A náusea, de Sartre

##plugins.themes.bootstrap3.article.main##

Caio Liudvik

Resumo

O romance A náusea (1938), de Jean-Paul Sartre, uma das obras-primas da literatura do século XX, é também um dos marcos do existencialismo francês. Retrata, através do diário de um historiador fictício, Antoine Roquentin, a tomada de consciência de que a própria “História” é uma ficção, o que se torna parte de ampla crise existencial que levará o protagonista a abandonar sua pesquisa histórica e desejar escrever um romance. O presente artigo analisa este arco dramático, ou a transformação subjetiva do protagonista, ao longo da história, como um processo simbólico de iniciação, segundo as chaves de leitura do que o crítico russo E. M. Mielietinski chamou de a poética do mito, a moderna revalorização do discurso mítico como base de criação e de interpretação de obras de arte, mesmo quando independentes, caso de A náusea, de qualquer orientação religiosa à maneira do mito tradicional.

##plugins.themes.bootstrap3.article.details##

Como Citar
LIUDVIK, Caio. Crise existencial e poética do mito em A náusea, de Sartre. O que nos faz pensar, [S.l.], v. 29, n. 49, p. 256-287, jan. 2022. ISSN 0104-6675. Disponível em: <http://www.oquenosfazpensar.fil.puc-rio.br/index.php/oqnfp/article/view/777>. Acesso em: 06 oct. 2022. doi: https://doi.org/10.32334/oqnfp.2021n49a777.
Seção
Varia

Referências

BEAUVOIR, S., Memórias de uma moça bem-comportada. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 1983 [1958].
BEAUVOIR, S., A força da idade. Trad. Sérgio Milliet. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2018 [1960].
CONTAT, M. & RYBALKA, M. “Notice” [1978], in: SARTRE, J.-P., Oeuvres romanesques. Paris: Gallimard, 2005 [1981].
DÉGUY, J., La nausée, de Jean-Paul Sartre. Paris: Gallimard, 1993.
ELIADE, M., Le mythe de l’ éternel retour – Archétypes et répétition. Paris: ed. Gallimard, 1969 [1949].
HEIDEGGER, M. Ser e tempo. Trad. Marcia Sá Cavalcante Schuback. Petrópolis: ed. Vozes, 2006.
HESSE, H., M. O lobo da estepe. Trad. Ivo Barroso. Rio de Janeiro: ed. Record, 2015 [1927].
JOYCE, J., Ulisses. Trad. Bernardina da Silveira Pinheiro. Rio de Janeiro: ed. Objetiva, 2005 [1922].
JUNG, C. G., Os arquétipos e o inconsciente coletivo. Trad. Maria Luisa Appy e Dora Mariana Ferreira da Silva. Petrópolis: ed. Vozes, 2000.
JUNG, C. G. “Comentário psicológico ao Bardo Thödol”, in: Psicologia e religião oriental. Trad. Pe. Dom Mateus Ramalho Rocha. Petrópolis: ed. Vozes, 2011.
LEOPOLDO E SILVA, F., Ética e literatura em Sartre – Ensaios introdutórios. S. Paulo, ed. Unesp, 2004.
LÉVY, B.-H., O século de Sartre –Inquérito filosófico. Trad. Bastos, J. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2001.
LIUDVIK, C., Sartre e o pensamento mítico –Revelação arquetípica da liberdade em As moscas. S. Paulo: ed. Loyola, 2007.
LIUDVIK, C., “Prefácio” a SARTRE, J.-P., A náusea. Trad. Braga, R. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2019.
MIELIETINSKI, E. M., A poética do mito. Trad. Paulo Bezerra. Rio de Janeiro: ed. Forense-Universitária, 1987 [1976].
MINOIS, G., História da solidão e dos solitários. Trad. Maria das Graças de Souza. S. Paulo: ed. Unesp, 2019 [2013].
MOUTINHO, L. D. S., Sartre –Psicologia e fenomenologia. S. Paulo: ed. Brasiliense, 1995.
PIERI, P. F. (org.), Dicionário junguiano. Trad. Storniolo, I. Petrópolis: ed. Vozes, 2002.
RUTHVEN, K.K., O mito. Trad. Esther Eva Horivitz de BeerMann. S. Paulo: ed. Perspectiva, 1997.
SARTRE, J.-P., La nausée. Paris: Gallimard, 2002.
SARTRE, J.-P, As moscas. Trad. Liudvik, C. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2005.
SARTRE, J.-P., Oeuvres romanesques. Paris: Gallimard, 2005b.
SARTRE, J.-P., O ser e o nada –Ensaio de ontologia fenomenológica. Trad. Perdigão, P. Petrópolis: ed. Vozes, 2008 [1943].
SARTRE, J.-P., O muro. Trad. H. Alcântara Silveira. Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2015.
SARTRE, J.-P., A náusea. Trad. Braga, R., Rio de Janeiro: ed. Nova Fronteira, 2019.
SIGURET, P., “La thérapie phénoménologique de la névrose existentielle”, Semen [online], 12 | 2000, digitalizado em 13 de abril de 2007. Disponível em: https://journals.openedition.org/semen/1925. Acesso em 21/11/2020.
VOGLER, C., A jornada do escritor –Estrutura mítica para escritores. Trad. Petê Rissatti. S. Paulo: ed. Aleph, 2015.
WILSON, C., O Outsider – O drama moderno da alienação e da criação. Trad. Oliva, M. C., S. Paulo: ed. Martins Fontes, 1985.
ZIMMER, H., Filosofias da Índia. Trad. Nilton Almeida Silva e Cláudia Giovani Bozza. S. Paulo: ed. Palas Athena, 2003.